Ahh, o desenho das nuvens no céu, naquela hora exata em que o céu ensaia ser mar. É que antes de qualquer escura profundeza ele passa todas as cores, as cores, de todos os cheiros, os cheiros a flutuar-nos a nos ser nuvens também.
Era o céu que a menina flutuava a todo dia, com a nostalgia da hora em que o sol quer ser partida, a hora em que a visita a seu avô estava chegando ao fim. E eram muitas despedidas para aquele ainda pequeno coração, que só entendia que tudo era vida, que todos os dias para completa-la visitava seu avô, aquele velho senhor em que já se via desgastar, e dependente das doses diárias da neta só a via nas bagunças do seu quarto, ocupando sua rede, roubando-lhe as moedas e rindo de fotografias antigas quase irreconhecíveis do avô.
O que ela não sabia, é que despedida maior chegaria, e seus dias contariam dias com ele, que também organizava a sua hora de partir.
Eis uma das maiores ironias da vida. O seu próprio ciclo natural. E de um lado, o velho tempo cercado de juízo, bença, "não beba", "não fume", ame-se e siga seu caminho, caminha lado a lado com o novo que as coisas e as gentes teriam a apresentar para aquela menina a todo momento. E ela, era só uma criança desses novos mundos que surgiam, apegada sempre no envelhecer do tempo de seu avô. Gostavam dos mesmos filmes, das mesmas músicas, e da mesma sobremesa.
Então, como ficariam aqueles dois corações, um de chegada, outro já de partida... Foi como ficou o céu no momento da grande separação. Ela, que ficara, insistia às nuvens para sair dalí, não conseguiu, não conseguiria olha-las com tanto esplendor, e por muito tempo perdeu o gosto de tantas brincadeiras, antecipando por dias e dias o final do sol. E foi assim, que a menina conhecera o fim, o primeiro de sua vida ainda. Entre o velho e o novo de tanto ser.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
sábado, 17 de agosto de 2013
o passarinho
Não tem nada, sei que
lugar de passarinho é no ar. Mas para pra pousar, o ar fresco da minha janela
pode ser um bom lugar pra repousar teu canto, e meu acalanto é te ver cantar
assim, não precisa de tanta coisa a mais.
E se quiser, olha o por
do sol de amanhã, e me leve pra voar até lá também, pois eu sei bem do abrigo
que tuas asas de vento são, e dos outros mundos que tens pra mostrar, passarinho, você pode ser por sua inteligencia, pela poesia que trazes a minha cabeceira, por seu cantarolá, mas nada que te complete alcança o que simplesmente és, na essência do ar que atropelas, e do que cada movimento teu significa ao repousar em mim.
E na antecedência do tempo que nos envolve, e até saindo da noite fria em que todos dormem, atravessando o dia para vê-lo morrer mais uma vez, esteja aqui mais uma vez, e só voe se for pra voltar antes do amanhecer, só amanheça se for pra me acordar com tua voz.
E na antecedência do tempo que nos envolve, e até saindo da noite fria em que todos dormem, atravessando o dia para vê-lo morrer mais uma vez, esteja aqui mais uma vez, e só voe se for pra voltar antes do amanhecer, só amanheça se for pra me acordar com tua voz.
terça-feira, 9 de julho de 2013
o sorriso de alguém
O sorriso pode valer por alguém inteiro.
E pode ser de tantas formas também, que chega a perca de seu sentido, como o sorriso que disfarça qualquer frustração, como ironia a falta de respostas, como cumprimento bobo a decadente convivência...
Se sorri para tudo, mas é somente quando o gesto chega além do próprio gesto, que tona-se possível compreender o significado maior que pode haver num sorriso, quando elevados pela alma, bocas se perdem em brilho, o brilho do rosto de alguém que sorri, que faz de si verdadeiro o sorriso que dá, quando vale por alguém inteiro, quando excede o tempo tornando-se horas de um segundo, quando surge de uma necessidade incomum de somente existir, transpassa o rosto, os olhos, a boca. É algo além, é quando alguém chega além.
E pode ser de tantas formas também, que chega a perca de seu sentido, como o sorriso que disfarça qualquer frustração, como ironia a falta de respostas, como cumprimento bobo a decadente convivência...
Se sorri para tudo, mas é somente quando o gesto chega além do próprio gesto, que tona-se possível compreender o significado maior que pode haver num sorriso, quando elevados pela alma, bocas se perdem em brilho, o brilho do rosto de alguém que sorri, que faz de si verdadeiro o sorriso que dá, quando vale por alguém inteiro, quando excede o tempo tornando-se horas de um segundo, quando surge de uma necessidade incomum de somente existir, transpassa o rosto, os olhos, a boca. É algo além, é quando alguém chega além.
domingo, 30 de junho de 2013
à ti
Eu queria ler nos teus olhos o que eu queria que tu me dissesse. Mas não sei, e nem sei se tu queres o que eu sinto que tenho para te dar. Faz pressentir que sonho com o impossível, nesse meu irreal, e me traz um tanto de medo em qualquer um dos mundos em que eu esteja. Eu te queria aqui em qualquer lugar, num infinito onde a explicação da felicidade fosse ela em si.
Eu teria uma árvore imensa num quintal perto de um córrego, eu só veria relógios na hora de acordar, eu acordaria cedo para banhar de pijama na chuva, e a cama mais quente e acolhedora seria a minha, e cada abraço seria uma cama, e cada abraço e cama seriam à ti.
Eu teria uma árvore imensa num quintal perto de um córrego, eu só veria relógios na hora de acordar, eu acordaria cedo para banhar de pijama na chuva, e a cama mais quente e acolhedora seria a minha, e cada abraço seria uma cama, e cada abraço e cama seriam à ti.
domingo, 16 de junho de 2013
sábado, 8 de junho de 2013
Tal qual Paulo Freire, também me atrevo a achar que a coisa mais bonita num homem é a sua capacidade de unir a palavra e o gesto. Digo atrevimento, mesmo, pois, usa-se a palavra para tudo, para disfarçar, para convencer, para tentar ser ou demonstrar... Mas esquecem que o lugar da palavra está na ação, e que a coerência entre ambas reside inicialmente na coragem de enfrentar o que se é; e ser, vai além do discurso. O próprio discurso vai além do discurso, por mais bonito que pareça.
domingo, 2 de junho de 2013
O Beijo
O beijo que eu sempre quis provar
Agora meu, eu sei
É melhor do que eu imaginara
É impossível de se acostumar
É falta que faz machucar
O teu beijo é mais de um;
É de menina, de mulher, de amiga
Transcende o paraíso
Vai muito além da terra toda
E mesmo sem perceber
Vai muito além de ti mesma
Vai muito além de mim, de nós, de tudo
O teu beijo
Se confunde dentro de mim
E por frações de eternidade
Esquecemos que somos dois
O beijo que eu sempre quis provar
Agora meu, eu sei
É melhor do que eu imaginara
É impossível de se acostumar
É falta que faz machucar
O teu beijo é mais de um;
É de menina, de mulher, de amiga
Transcende o paraíso
Vai muito além da terra toda
E mesmo sem perceber
Vai muito além de ti mesma
Vai muito além de mim, de nós, de tudo
O teu beijo
Se confunde dentro de mim
E por frações de eternidade
Esquecemos que somos dois
Matheus de Sousa
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