sábado, 19 de outubro de 2013

depois de alguns anos

Acordar todo dia por volta das 10h da manhã quase não foi vida, durante alguns anos nesse espaço temporal. E foi assim, até que me veio, junto com um monte de horas a mais, a mudança de hábito...

Comecei a acordar por volta das 8h da manhã, e por mais cansativo que o dia pudesse correr, só voltava para casa depois das 22h e antes do último ônibus que me pegava, porque nesse intervalo entre acordar e dormir começava a caber coisas infinitas que nem imaginava poder fazer. E àquelas horas de sobra para pensar somente em mim, foram reduzidas também, como os momentos de pseudomeditação que me deixavam só. Foram incluídos ainda mais filmes, ainda mais livros, mais histórias. E algumas horas de conversas, e atenção para doar.

De certo que o dia tornou-se todo correria, mais corria pra mim mais felicidade, onde se juntavam um tanto de preocupação, de compreensão, admiração, de amor. Foi quando passei a notar. Notava que o sol diferente não passaria mais um dia sem ser notado com alguém, mais ainda do que antes, notava sua luz. E saber o que é sentir saudade de verdade, o que é dormir de verdade, o que seria poder contar...

Coleção de novas figurinhas de tempo que me cabiam, me trouxeram agora ao que eu finalmente chamaria viver. E o que chamaria viver não poderia estar residindo em alguém, mas no que tornamo-nos em si. Que eu poderia até vir a perder, mas não voltaria a nenhum outro álbum que não esse, por não precisar mais marcar-me em outro lugar nenhum.

E a gente sabe tanto rir um do outro, que não quero me ver dando espaço para restar-me a chorar.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Às pessoas que caminham para o fim do mundo

e só conseguem chegar ao fim de si mesmo. Enquanto o mundo pulsa.

Sejamos a próxima gestação.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

para nunca esquecer II

Sobretudo das pessoas, e o que fazem o que falam e cometem a nós com suas farpas, eu guardo mágoas, sim. Porque pouca memória é coisa pra peixe. Eu queria nem rir. Perco-me desta e daquela, onde já não há mais - nem vai haver- o que vislumbrar...

Caminho sem volta, sei lá. Não escrevo como quem infla o peito, e não teria do que orgulhar-me sendo assim. Orgulho às vezes é burrice, outras autopreservação do meu próprio tempo. 

para nunca esquecer

Mas o que seria de nós se fossem os outros? (risos)
...É que não precisamos dos outros em nós.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Tudo foi feito pelo sol

Ande sempre para o sol
Olhe sempre para sol
E tudo que você quiser
Tudo que você pensar será
Iluminado como o sol

E tudo que você encontrar
Tudo que você amar será
Iluminado
Brilhante como o sol

Tudo foi feito pelo sol
Viva sempre em sua luz (do sol)

Os mutantes

o velho e o novo

Ahh, o desenho das nuvens no céu, naquela hora exata em que o céu ensaia ser mar. É que antes de qualquer escura profundeza ele passa todas as cores, as cores, de todos os cheiros, os cheiros a flutuar-nos a nos ser nuvens também. 

Era o céu que a menina flutuava a todo dia, com a nostalgia da hora em que o sol quer ser partida, a hora em que a visita a seu avô estava chegando ao fim. E eram muitas despedidas para aquele ainda pequeno coração, que só entendia que tudo era vida, que todos os dias para completa-la visitava seu avô, aquele velho senhor em que já se via desgastar, e dependente das doses diárias da neta só a via nas bagunças do seu quarto, ocupando sua rede, roubando-lhe as moedas e rindo de fotografias antigas quase irreconhecíveis do avô.

O que ela não sabia, é que despedida maior chegaria, e seus dias contariam dias com ele, que também organizava a sua hora de partir.

Eis uma das maiores ironias da vida. O seu próprio ciclo natural. E de um lado, o velho tempo cercado  de juízo, bença, "não beba", "não fume", ame-se e siga seu caminho, caminha lado a lado com o novo que as coisas e as gentes teriam a apresentar para aquela menina a todo momento. E ela, era só uma criança desses novos mundos que surgiam, apegada sempre no envelhecer do tempo de seu avô. Gostavam dos mesmos filmes, das mesmas músicas, e da mesma sobremesa.

Então, como ficariam aqueles dois corações, um de chegada, outro já de partida... Foi como ficou o céu no momento da grande separação. Ela, que ficara, insistia às nuvens para sair dalí, não conseguiu, não conseguiria olha-las com tanto esplendor, e por muito tempo perdeu o gosto de tantas brincadeiras, antecipando por dias e dias o final do sol. E foi assim, que a menina conhecera o fim, o primeiro de sua vida ainda. Entre o velho e o novo de tanto ser.

sábado, 17 de agosto de 2013

o passarinho

Não tem nada, sei que lugar de passarinho é no ar. Mas para pra pousar, o ar fresco da minha janela pode ser um bom lugar pra repousar teu canto, e meu acalanto é te ver cantar assim, não precisa de tanta coisa a mais.

E se quiser, olha o por do sol de amanhã, e me leve pra voar até lá também, pois eu sei bem do abrigo que tuas asas de vento são, e dos outros mundos que tens pra mostrar, passarinho, você pode ser por sua inteligencia, pela poesia que trazes a minha cabeceira, por seu cantarolá, mas nada que te complete alcança o que simplesmente és, na essência do ar que atropelas, e do que cada movimento teu significa ao repousar em mim.
  
E na antecedência do tempo que nos envolve, e até saindo da noite fria em que todos dormem, atravessando o dia para vê-lo morrer mais uma vez, esteja aqui mais uma vez, e só voe se for pra voltar antes do amanhecer, só amanheça se for pra me acordar com tua voz.