e só conseguem chegar ao fim de si mesmo. Enquanto o mundo pulsa.
Sejamos a próxima gestação.
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
terça-feira, 24 de setembro de 2013
para nunca esquecer II
Sobretudo das pessoas, e o
que fazem o que falam e cometem a nós com suas farpas, eu guardo mágoas, sim. Porque
pouca memória é coisa pra peixe. Eu queria nem rir. Perco-me desta e daquela, onde
já não há mais - nem vai haver- o que vislumbrar...
Caminho sem volta, sei lá.
Não escrevo como quem infla o peito, e não teria do que orgulhar-me sendo assim.
Orgulho às vezes é burrice, outras autopreservação do meu próprio tempo.
para nunca esquecer
Mas o que seria de nós se fossem os outros? (risos)
...É que não precisamos dos outros em nós.
...É que não precisamos dos outros em nós.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
o velho e o novo
Ahh, o desenho das nuvens no céu, naquela hora exata em que o céu ensaia ser mar. É que antes de qualquer escura profundeza ele passa todas as cores, as cores, de todos os cheiros, os cheiros a flutuar-nos a nos ser nuvens também.
Era o céu que a menina flutuava a todo dia, com a nostalgia da hora em que o sol quer ser partida, a hora em que a visita a seu avô estava chegando ao fim. E eram muitas despedidas para aquele ainda pequeno coração, que só entendia que tudo era vida, que todos os dias para completa-la visitava seu avô, aquele velho senhor em que já se via desgastar, e dependente das doses diárias da neta só a via nas bagunças do seu quarto, ocupando sua rede, roubando-lhe as moedas e rindo de fotografias antigas quase irreconhecíveis do avô.
O que ela não sabia, é que despedida maior chegaria, e seus dias contariam dias com ele, que também organizava a sua hora de partir.
Eis uma das maiores ironias da vida. O seu próprio ciclo natural. E de um lado, o velho tempo cercado de juízo, bença, "não beba", "não fume", ame-se e siga seu caminho, caminha lado a lado com o novo que as coisas e as gentes teriam a apresentar para aquela menina a todo momento. E ela, era só uma criança desses novos mundos que surgiam, apegada sempre no envelhecer do tempo de seu avô. Gostavam dos mesmos filmes, das mesmas músicas, e da mesma sobremesa.
Então, como ficariam aqueles dois corações, um de chegada, outro já de partida... Foi como ficou o céu no momento da grande separação. Ela, que ficara, insistia às nuvens para sair dalí, não conseguiu, não conseguiria olha-las com tanto esplendor, e por muito tempo perdeu o gosto de tantas brincadeiras, antecipando por dias e dias o final do sol. E foi assim, que a menina conhecera o fim, o primeiro de sua vida ainda. Entre o velho e o novo de tanto ser.
Era o céu que a menina flutuava a todo dia, com a nostalgia da hora em que o sol quer ser partida, a hora em que a visita a seu avô estava chegando ao fim. E eram muitas despedidas para aquele ainda pequeno coração, que só entendia que tudo era vida, que todos os dias para completa-la visitava seu avô, aquele velho senhor em que já se via desgastar, e dependente das doses diárias da neta só a via nas bagunças do seu quarto, ocupando sua rede, roubando-lhe as moedas e rindo de fotografias antigas quase irreconhecíveis do avô.
O que ela não sabia, é que despedida maior chegaria, e seus dias contariam dias com ele, que também organizava a sua hora de partir.
Eis uma das maiores ironias da vida. O seu próprio ciclo natural. E de um lado, o velho tempo cercado de juízo, bença, "não beba", "não fume", ame-se e siga seu caminho, caminha lado a lado com o novo que as coisas e as gentes teriam a apresentar para aquela menina a todo momento. E ela, era só uma criança desses novos mundos que surgiam, apegada sempre no envelhecer do tempo de seu avô. Gostavam dos mesmos filmes, das mesmas músicas, e da mesma sobremesa.
Então, como ficariam aqueles dois corações, um de chegada, outro já de partida... Foi como ficou o céu no momento da grande separação. Ela, que ficara, insistia às nuvens para sair dalí, não conseguiu, não conseguiria olha-las com tanto esplendor, e por muito tempo perdeu o gosto de tantas brincadeiras, antecipando por dias e dias o final do sol. E foi assim, que a menina conhecera o fim, o primeiro de sua vida ainda. Entre o velho e o novo de tanto ser.
sábado, 17 de agosto de 2013
o passarinho
Não tem nada, sei que
lugar de passarinho é no ar. Mas para pra pousar, o ar fresco da minha janela
pode ser um bom lugar pra repousar teu canto, e meu acalanto é te ver cantar
assim, não precisa de tanta coisa a mais.
E se quiser, olha o por
do sol de amanhã, e me leve pra voar até lá também, pois eu sei bem do abrigo
que tuas asas de vento são, e dos outros mundos que tens pra mostrar, passarinho, você pode ser por sua inteligencia, pela poesia que trazes a minha cabeceira, por seu cantarolá, mas nada que te complete alcança o que simplesmente és, na essência do ar que atropelas, e do que cada movimento teu significa ao repousar em mim.
E na antecedência do tempo que nos envolve, e até saindo da noite fria em que todos dormem, atravessando o dia para vê-lo morrer mais uma vez, esteja aqui mais uma vez, e só voe se for pra voltar antes do amanhecer, só amanheça se for pra me acordar com tua voz.
E na antecedência do tempo que nos envolve, e até saindo da noite fria em que todos dormem, atravessando o dia para vê-lo morrer mais uma vez, esteja aqui mais uma vez, e só voe se for pra voltar antes do amanhecer, só amanheça se for pra me acordar com tua voz.
terça-feira, 9 de julho de 2013
o sorriso de alguém
O sorriso pode valer por alguém inteiro.
E pode ser de tantas formas também, que chega a perca de seu sentido, como o sorriso que disfarça qualquer frustração, como ironia a falta de respostas, como cumprimento bobo a decadente convivência...
Se sorri para tudo, mas é somente quando o gesto chega além do próprio gesto, que tona-se possível compreender o significado maior que pode haver num sorriso, quando elevados pela alma, bocas se perdem em brilho, o brilho do rosto de alguém que sorri, que faz de si verdadeiro o sorriso que dá, quando vale por alguém inteiro, quando excede o tempo tornando-se horas de um segundo, quando surge de uma necessidade incomum de somente existir, transpassa o rosto, os olhos, a boca. É algo além, é quando alguém chega além.
E pode ser de tantas formas também, que chega a perca de seu sentido, como o sorriso que disfarça qualquer frustração, como ironia a falta de respostas, como cumprimento bobo a decadente convivência...
Se sorri para tudo, mas é somente quando o gesto chega além do próprio gesto, que tona-se possível compreender o significado maior que pode haver num sorriso, quando elevados pela alma, bocas se perdem em brilho, o brilho do rosto de alguém que sorri, que faz de si verdadeiro o sorriso que dá, quando vale por alguém inteiro, quando excede o tempo tornando-se horas de um segundo, quando surge de uma necessidade incomum de somente existir, transpassa o rosto, os olhos, a boca. É algo além, é quando alguém chega além.
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